A receita da felicidade

Sério!? Você REALMENTE ACHA que existe uma receita para a felicidade? Me desculpe, mas, quanta ingenuidade da sua parte! Você ainda não aprendeu o que é a vida? Eu realmente peço desculpas se você se sente ofendido, mas a receita da felicidade NÃO EXISTE! Mas não saia! Continue lendo e eu vou te explicar porque:

Motivo 1: A Felicidade é um estado de espírito

Depois do dinheiro e do poder, talvez o que os homens e mulheres realmente queiram é… ser feliz. E, para isso, concentram-se em usam do poder para fazer dinheiro e do dinheiro para criar poder. No entanto, neste ciclo viciantemente entre dinheiro e poder, os anos passam… o espírito se viciou em buscar aquilo que não se tem, como um cachorro raivoso corre atrás de um carro que, quando para, deixa o cachorro sem reação. Qual será a sua reação quando a felicidade parar na sua frente e disser: hey, tô aqui! E agora, o que você vai fazer?

Motivo 2: A Felicidade não depende apenas de nós

Na verdade, nada depende apenas de nós. Esquece essa loucura pós-moderna que somos ilhas e sabemos se autossustentar cada um na sua ilha para sempre… e que sempre haverá fartura. Porque não há. A verdade é que esta ilusão está nos levando cada vez mais para o fundo do oceano. Assim, nossos jovens se afundam: drogas, pílulas, depressão, ansiedade, bipolaridade… 

Faça um favor para si mesmo: deixa de acreditar que você é independente. Ninguém é. Nada é. Somos parte de uma macro-energia chamada Universo, que está em constante movimento e transformação. E é forte. Tem poder. Tem capacidade de regenerar a cauda de uma lagartixa, fazer uma estrela ainda estar brilhando, mesmo sabendo que ela já morreu há milhares de anos. Somos interdependentes. 

Motivo 3: Nós pecamos pra valer!

Imagine a palavra “pecado” totalmente fora do sentido religioso, ok? Pecar aqui é deixar de amar. E nós pecamos quando não damos um bom dia sorrindo (por mais que seja difícil), pecamos quando falamos algo que machuca alguém. Eu peco quando eu permito que me magoem. E isso dói. Isso realmente dói. Os pensamentos vêm à noite, varam a madrugada, tantas perguntas…

A gente peca, erra, vacila, pisa na bola TODO DIA. Pra valer! Mas não dá pra se desesperar por isso. Na verdade, não dá pra se desesperar por nada. 

Motivo 4: A infelicidade mora no olhar

Não há como esconder. De alguma forma, quase tudo tem dois lados. Os lados opostos, os que se atraem, ou que sejam semelhantes e, mesmo assim, se atraem. A felicidade e a infelicidade são lados opostos e, acredite: eles se repelem mais do que tudo. 

A tristeza é companheira da gravidade. Põe pra baixo. É fácil baixar a cabeça, entortar o pescoço, murchar os ombros e arquear a coluna olhando para o chão. É fácil se encostar na parede, desbloquear o celular e ficar rolando a tela incansavelmente até que… se cansa. 

O infeliz, a não ser que atue bem, não consegue esconder. Ora, também não quer mostrar, exibir seu fracasso para que batam palmas na sua cara e gritem, lá do fundo: “eu avisei”. Tudo o que uma alma escurecida quer é cair em queda-livre cada vez mais, sem vontade de saber qual a dimensão escondida do outro lado do buraco-negro.

Motivo 5: Já nos deram as receitas, mas nenhuma funcionou

E nem vai. Eles já nos ensinaram o que comer, o que vestir, o que ler, o que assistir, o que pensar, o que dizer. Não quero bancar o tipo “abaixo ao sistema”, mas eles tentam, a todo custo, nos dizer que a receita da felicidade está em algum lugar. Como eu fiz com esse texto. E, se você chegou até aqui, é porque realmente estava procurando por um milagre que desse certo!

Mas não há. A felicidade não é, a felicidade está. A felicidade não mora, ela se hospeda e vai embora. Pássaros que voam de estação em estação. Viajantes que desejam nunca mais voltar ao nomadismo. Assim é a felicidade. Será que somos fortes o bastante para manter o equilíbrio em sua ausência?

A felicidade não está nas prateleiras das lojas físicas, ou nas categorias dos shoppings virtuais. Ela não vai aparecer de presente em um episódio de qualquer série que você assista na Netflix, nem vai saltar das páginas de um best-seller agarrando o seu pescoço. 

Nós, pobres e ignorantes humanos, ainda não conseguimos aprender que a felicidade não é para nós. Ela está em nós. A felicidade não é um presente. Ela é o momento presente. Ela se manifesta no agradecer, no perdoar, no amar, no sentir. Uma lembrança vívida de décadas, um sabor que nunca mais será esquecido, um cheiro capaz de nos embarcar em uma viagem à infância. Ser feliz, ou melhor, estar feliz, dá trabalho. É preciso esforço. 

A pergunta que nos mantém cegos e em círculos é: o que você faz para que a felicidade queira dividir um tempo com você?

 

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