Sonhos nômades

Pés no chão. É preciso olhar para trás. De cabeça erguida, podemos acreditar no que vemos até onde os olhos alcançam. Nem se desfazer do passando, nem se iludir com o futuro. O presente é quem alimenta nossos sonhos. O tic-tac do relógio, o grão de areia na ampulheta. As sombras dançam tristes em arranhas-céus presos na rotina: o tempo não para.

Cada passo no asfalto escaldante é um alarme para o bom e velho ego: é hora de bater as asas, sair do chão. É hora de voar. Enquanto seguimos a linha amarela no meio da estrada, ao longe, o que se vê é a paisagem desfocada e tênue, fervendo como o calor que acende a alma. Uma paisagem desconhecida, mas de aparência simpática. É preciso proteger os olhos, estar preparado para o baque: a luz que se esconde lá fora pode nos cegar.

Perdidos no bosque das incertezas, contamos os segundos olhando para as copas das árvores sentindo a brisa fresca encher os pulmões de coragem. Estamos em choque térmico: inflamando ousadia e congelados no tempo. Para derreter o Ártico não é preciso mais do que um sol. Para derreter os sonhos de alguém, um único olhar incandescente serve.

Ninguém quer ficar aqui. Ninguém quer ficar em qualquer lugar. Todos queremos mudanças, queremos mudar, queremos o mundo. Os historiadores não nos contam, mas o homem só deixou de ser nômade quando desistiu de seguir os próprios sonhos. Milênios depois, nos cansamos de decorar cavernas. Não queremos mais a caça na mesa. É preciso arriscar.

O meu lugar não é mais qualquer lugar. Então, qual é? Pergunta difícil, que apenas o coração será capaz de responder. E, quando ele responder, então será. Simplesmente será.

 

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