A profunda imensidão da solidão

PRÓLOGO

Se a prosa é amiga da alegria, a poesia é amante da tristeza, o silêncio é pai do luto e o grito é filho do desespero.

Numa agonia interna só minha

Sufoca-me a alma um pesadelo sóbrio

Derrete-me o calor de uma amargura aguda

Congela-me o frio da solidão em praga.

Nega-me o conforto de uma cama larga

Rasga-me a pele em ferida acesa

Cospe-me na face enquanto fica ilesa

Acerta-me o peito e me dilacera.

Perfura-me os olhos onde antes era

Uma janela para o retrato da imagem santa

Oferece-me o céu e depois apronta

Estende-me o tapete para a ribanceira.

Empala os meus sonhos e expõe em praça

Humilha o meu traço e depois desgraça

Rabisca a obra-prima, a imaculada

Pisa no meu peito e depois festeja.

Joga sete palmos de terra vermelha

Arrepende-se e pergunta por que fui embora

Mas a resposta ecoa até chegar à orelha:

Aqueles que se vão é porque é hora,

Na vida não passamos de uma centelha.

 

 

 

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