Viva cada segundo como se fosse o último

Esta é a última semana de faculdade. Na próxima terça-feira defendo meu Trabalho de Conclusão de Curso. Em dezembro, pego o diploma, desço às escadas do bloco e, pela última vez, olharei para o prédio no qual vivi quatro anos. Minha Hogwarts particular.

Depois desse tempo todo, somente agora, no final, uma verdade extremamente simples e significativa estalou na mente: por que deixamos para viver amanhã? Notei isso porque, ao transcorrer o curso, muitos acontecimentos dividiram e alinharam a nossa turma. Como é comum acontecer. No entanto, o incomum é aguardar inconscientemente até o final do ciclo para perceber o quanto ele é importante para nós.

Ontem, por um momento, pensei que fosse desidratar em lágrimas após uma linda surpresa feita por uma de nossas professoras. Durante a Última Ceia, os colegas deixaram algumas mensagens que ilustraram na roda o quanto fomos capazes de mudar, uns aos outros, todos para melhor.

Mesmo sabendo que a vida não termina aqui, pelo contrário, ela está apenas começando em uma nova perspectiva, foi nostálgico o resultado daquele momento. A reflexão final é a de que, erroneamente, deixamos de viver a vida hoje, na tentativa de vivê-la amanhã. Mas o amanhã é uma utopia.

O amanhã é um pássaro preso entre as mãos que debate as asinhas incansavelmente a fim de se libertar. E, na primeira oportunidade, ele voa para longe, para o além do olhar. O amanhã é isso: uma incógnita, pergunta sem resposta, um enigma projetado pelo Senhor do Tempo para fazer a mente humana usar os resultados do passado a fim de, pretensiosamente, tentar um toque modesto na película do futuro. Por isso o amanhã é indecifrável.

Assim sendo, aprendemos a viver a única certeza que temos: o hoje, o agora, este exato momento da minha escrita e da sua leitura que são, perceba a ironia, momentos diferentes e, até mesmo o eu que escreve não é mais o mesmo eu no momento que você lê minhas palavras. Por isso a vida é um rio fluído, de correnteza selvagem em uma mata fechada, mas sem galhos estendidos nos quais se possa segurar. E o peso da correnteza, ou seja, o tempo, nos arrasta. Cada vez mais rápido, cada vez mais fundo.

O passado se distancia dos olhos a cada golfada de ar encharcada no pulmão. Se esvai entre os dedos como a areia desliza silenciosamente ofídica em uma ampulheta. E a correnteza continua a nos levar. E os grão continuam a cair. Por isso, felizmente, é fácil, possível e saudável aprender a saber viver, como canta o artista. Talvez este processo demore meses, anos, ou décadas. Mas acredite, não há nada mais libertador do que remover a viseira que nos prende ao futuro e notar como o presente é solene e nobre.

As pessoas que amamos se vão, os animais que gostamos morrem, os amigos pegam o trem para correr sobre outros trilhos, nosso pais quase sempre compram a passagem para o além antes de nós, conhecidos tornam-se desconhecidos, estranhos viram a nova família, a fotografia no porta-retrato perde a cor, a rosa colhida no próprio jardim desidrata, murcha, seca, suas pétalas caem delicadamente no chão.

E a vida passou.

E você, o que fez?

NOTA: Obrigado a cada colega, professor e amigo que passou pela correnteza da minha vida nestes quatro anos. Que o Universo emane as melhores energias para sua vida.

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2 comentários em “Viva cada segundo como se fosse o último

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