O que sobrou de mim?

Coloque os fones e ouça esta música com este texto.

Entre o cotidiano desgastante e os sopros de esperança que o vento vomita na minha face seca e fria, algumas perguntas continuam acesas, sem respostas. Alguns porquês preenchem-se os próprios vazios, evitando a todo custo o medo de ficarem sozinhos para sempre. Não é a única semelhança entre nós.

Há um passo a ser dado. Há um erro a ser esquecido. Todos os dias, em algum momento, nos deparamos com nossos erros. E, mesmo vendo que não está certo, continuamos errando. Continuamos insistindo na mesma inverdade, dado a cara à tapa para o mundo e tentando resistir, até que não sobre mais milímetro entre os olhos e o queixo que não esteja rubro do sangue úmido e quente escorrendo em gotas de desespero e dor.

A vida é uma estante da sala. Na parte de cima, você coleciona alguns poucos troféus, mostra os teus méritos para todos verem e se admirarem por você. Na porta à direita, estão guardadas as boas memórias, cada uma em sua caixinha, uma embalagem que só se abre pelo lacre da nostalgia.

Na última gaveta, empoeirada e travada, ficam escondidas e esquecidas as piores dores e frustrações. E você reza, torce, faz de tudo para que, quando alguém visitar a sua casa, fique apenas nos troféus, talvez conheça as memórias mas nunca, nunca se aproxime da maldita gaveta de frustrações. Porque você sabe que, se abrir, essa pequenina e poderosa arma se iguala ao terror amaldiçoado de Pandora.

Das minhas teorias, das minhas leituras, das poesias que recitei e das músicas que pus pra tocar, das dores que senti, de cada sorriso que tive a honra de dar, de todas as lágrimas que já derramei, por cada batida no coração, pelos sonhos adoráveis e surreais que se transformam em pequenas frustrações quando acordo, pelos pesadelos terríveis que viram esperança quando terminam, pelos momentos de simpatia, de medo e de coragem, por toda experiência sentida, vivida, por toda moeda encontrada no meio do caminho, por cada guarda-chuva esquecido no mercado, pelas filas que furei, pelos minutos que perco procurando o que assistir na Netflix, pelas coisas que desejo e também por cada conquista… pelos anos que se passam tão rápidos como a dança de Mercúrio ansioso ao redor do Sol, só há uma pergunta a ser respondida:

O que sobrou de mim?

O que sobrou de nós?

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