A grande tese

Há quem diga que escrevo sobre a vida. Mas não poderia falar sobre a vida, só poderia entregar tudo que sou, posso me destroçar em mil partes sobre esse papel, mas essa é minha limitação. Mesmo que eu falasse de qualquer outro assunto, estaria falando absolutamente de mim.

Mas então o que vai ser? Quer ler tudo abruptamente? Não se afobe, os seres humanos são inconclusos e inacabados, um amontoado prematuramente desfeito que em ambiguidades se espalham. Sou assim essa colcha de retalhos que em cada parte carrega um sopro de vida, um apego existencial ignóbil. Fui tão vagarosamente me fazendo que devo ter perdido-me em descaminhos, errei a costura, sou ser tão oblíquo que não haveria um modo se quer de me mostrar explicitamente.

Então para que a ansiedade? Descanse a cabeça em um móvel qualquer, vou devagar sobre minha condição de estudar-me constantemente. Serei escrita mansa, que parece fazer manha pra se desenvolver. Irei deixar-me aqui em partes, pode recolhê-las, juntar as peças e os cacos. Vamos desenrolando esse fio de vida, e tecendo algo novo, nessas palavras também me refaço.

E se ainda me ponho a escrever, mesmo que ninguém leia ou sequer entenda o que faço. É porque deixei de pintar ruínas, abandonei a voracidade que busca com a fraqueza de braços, parar a grandiosidade do mundo. Diariamente perco-me nas dúvidas, deixo-as fluir e florescer redescobrindo cada fragmento e o estudando novamente, até que sejam grandes hipóteses e eu refaça novamente a tese que tenho de mim.

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