Indisponível para o complicado

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A gente tem uma estranha mania de querer “o melhor” pra gente. E, às vezes, o melhor se confunde com o mais difícil, com o complicado. O “melhor” está entre passar as férias em Paris, em Veneza ou nas Malvinas: mas posso passar em Búzios (que eu ainda não conheço). O “melhor” de nós está se imaginando presidente da empresa, ganhador de alguns prêmios, inesquecível para humanidade. Mas eu posso ser inesquecível pra galera do meu bairro. O melhor de nós quer nunca perder apostas, evitar todas as lágrimas. Ele quer ser o melhor pelo trunfo e mérito de ser o que é.

Ser o melhor, estar no melhor, fazer o melhor requer força de vontade. Não tenho mais nem a força e muito menos a vontade. A força se perdeu aos poucos nos baques que a vida dá na gente. A vontade evaporou, aos poucos, com o sol da amargura. Aquele êxtase da vida, consumido pelos jovens dos vinte e tantos, não me extasia mais. Tudo era novidade até ontem, hoje não é mais.

Decidir entre o “melhor” e o “real” é doloroso, gera culpa. Por que não posso ser eu? Por que não sou eu? Porque as coisas apenas são como são. Às vezes, o mais simples é o mais completo, o mais prazeroso e, idiotas, passamos tanto tempo procurando ser preenchidos por algo que pensamos ser raro, mas que está o tempo todo ao nosso redor. Basta tirar o óculos da luxúria e encarar de frente o real.

Escrevi um livro e plantei duas árvores: uma a mais pelo filho que não pretendo doar ao mundo. Fiz compras com o romance, vi os anos passarem no céu em formas estranhas e assustadoras de fogos de artifício. Ainda nem cheguei ao quarto do centenário e, dentro de mim, já habita um cansaço imenso. Uma imensidão vazia. Um vazio cansado.

O quanto espera o mundo de mim? O quanto deseja o mundo de nós? E aquele obrigatório dever, assinado no registro de nascimento, de fazer a diferença? Se me perdi, foi entre o labirinto da felicidade e o caminho reto da melancolia. Tão difícil encontrar uma, tão confortante se agarrar a outra. Por ora, é esta minha companheira: a fatigada e deprimente solidão. Ela sempre está comigo.

 

 

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3 comentários em “Indisponível para o complicado

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