Amor de fumaça

Ouça esta música ao ler o texto.

Eu precisava muito conversar com você. Queria te contar algo que está preso dentro de mim, uma ardência profunda e dolorosa. Massiva. Dizer que tipo de amor eu costumo sentir, que forma de sentimento habita em mim, mas nem mesmo sei se há definição pra isso.

Sei das dificuldades em encontrar novos amores. Aprendi sofrendo que a melhor opção é nunca confirar, porque quanto maior o vale da confiança, mais profunda é a foça da desilusão e maior a queda que a gente sofre. Quase sempre é fatal e em cada precipício há um preço traduzido na morte de tantas esperanças plantadas em diálogos, momentos, experiências. Não há nada mais doloroso do que cair num buraco profundo que você mesmo criou. Suicídio.

Entre as 365 chances de cada ano, das 24 horas dadas pelo dia, há sempre um segundo perigoso capaz de mudar toda a história de vida de alguém. Você foi o meu segundo perigoso. Você foi o suspiro ultimato, ataque cardíaco ao meu coração de pedra. Mas você também passou.

E depois de você vieram outros, vieram outras. Depois de você vieram beijos tão quentes quanto os seus, abraços tão apertados quanto os seus, fodas tão gostosas quanto as que eu tinha com você. Mas nuca mais vivi o mesmo sentimento colorido e leve a pintar em aquarela uma vida pacata e sombria que era a minha.

Hoje eu consigo perceber nuances em outros espectros da razão. Vejo o resultado das nossas aventuras, a ferida aberta na carne, a sutura não cicatrizada no peito. Observo que você foi, na verdade, apenas mais um amor de fumaça na minha vida.

Você foi um cigarro aceso, fumado às pressas. Uma bituca atirada ao chão. Você me apareceu como a chama de um isqueiro ardente, pronto para incendiar até mesmo um edifício se precisasse. Depois deu-me prazer, fez-me respirar fundo, sentir o seu sabor de desejo e o medo do pecado.

No final, soltei o ar e com ele você se esvaiu ainda quente e voou livre e transparente se dissolvendo cru na paisagem. Dentro de mim o êxito passou, o clarão apagou-se, deixando apenas um vácuo do gosto ácido e aquela sensação de ter errado mais uma vez.

 

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