Fogo frio

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Oi amor, há quanto tempo não nos vimos mais. Há quanto tempo não senti o toque úmido de seus lábios frios aos meus. Faz eras desde a última vez em que sua língua dançou ácida e áspera sobre minha pele. Meses da última mordida no mamilo, onde eu sei que você gosta.

Senti culpa pela briga que tivemos. Senti pena da própria solidão em ter que me aguentar todo esse tempo. Senti raiva de mim mesmo, do mundo e de você, claro. Mas superei as vontades mais loucas do coração alimentando a mente com bons pensamentos, com boas ideias. No entanto, ainda falta algo para completar: novamente você.

Quando vamos marcar a próxima ficada forte no beco escuro próximo à faculdade? E aquele café onde bebemos mais palavras um do outro do que do próprio líquido? Ah, não esqueça a minha hamburgueria favorita no shopping, nem dos vinhos que provamos no último jantar italiano. Não vai deixar se apagar na memória aquela vez em que sua mãe quase nos pegou no pulo no meio de uma das melhores transar que já tivemos. Foi loucura, mas eu faria tantas vezes quanto pudesse.

É amor, não sei o que será de nós daqui pra frente. Você, do outro lado imune dos meus desejos e eu, imune da sua atenção. Acho que até você perceber que o cara certo sou eu vai demorar um pouco e, nisso, você vai passar por muitos errados. Mas fique sabendo que eu estou aqui, não te esperando (porque não sou mais idiota ao ponto), mas mantendo quente esse fogo frio da nossa desmedida paixão.

 

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