Utópico

Ele é loiro e de olhos claros. Ele tem o corpo malhado, definido, cada gomo em seu devido lugar. Ele tem os cabelos lisos, tão lisos quanto o fio de uma espada ou quanto as ondas de um riacho corrente. Largos são os ombros. Grandes relevos fortes. Ele tem um órgão lindo, normal, natural, inflável. Infalível.

Ele é inteligente, aliás, ele é um gênio. Sabe todas as ciências, da natureza, humanas, sociais e matemáticas. Dá conselhos aos mais sábios e corrige quem outrora o corrigia. Ele não pede perdão e nem desculpas, porque nunca erra.

Ele é flamejante. Quente como uma tarde de verão que não tem mais fim. Solstício que se perde nos raios do Sol. Ele queima como uma chama ardente que derrete a prata e faz dela a coroa que adorna a sua cabeça, os seus rúbios fios rebeldes.

Ele é cavalheiro, cavaleiro, um guerreiro. Seu campo de batalha é o discurso e suas armas são as palavras, afiadas como um punhal, certeiras como uma flecha. Ele é domador. Domestica os cavalos, os cães e também o amor. Monta nos sentimentos, cavalga com emoção na própria emoção e, se não gostar do galope, a chicoteia sem dó. Ele é ousado.

Ele é desejado. Mulheres e homens de todos os continentes já ouviram falar das suas aventuras, da sua grandeza, de tudo o que ele permitiu que dissessem. Mas existe algo não revelado, um segredo que ninguém sabe e nem mesmo ele. Ele só exite em sonhos. Ele se desintegra como ilusão.

Ele é Utópico.

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